Ambiente
Mudanças climáticas podem colocar em risco operações no Porto de Rio Grande
Estudo da Agência Nacional de Transportes Aquaviários aponta que vendaval é a principal ameaça à estrutura portuária
Foto: divulgação - DP - Mudanças climáticas observadas nos últimos anos colocam em risco as operações nos principais portos do Brasil
Por Cíntia Piegas
cintiap@diariopopular.com.br
Mudanças climáticas observadas nos últimos anos colocam em risco as operações nos principais portos do Brasil, entre eles o de Rio Grande, aponta estudo da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) com cooperação alemã, por meio da Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ) GmbH. O relatório ainda sugere medidas de adaptação e de investimentos a partir das projeções feitas até 2060.
Segundo o estudo, a combinação entre ventos mais fortes e mais frequentes pode demandar mais manutenção das infraestruturas portuárias, elevar o custo operacional e reduzir a movimentação de cargas. Este apontamento foi feito após várias análises, com equipamentos meteorológicos modernos que preveem mais ocorrências de ventos, aumento do nível do mar, porém com menos chuvas.
O alerta é de extrema importância para os gestores do Portos RS, que enviaram equipes para participar das análises. O diretor de Meio Ambiente, Henrique Ilha, garante que o Porto de Rio Grande está preparado para tais intempéries. "Desde a construção dos Molhes da Barra, toda estrutura feita no Porto é bem forte, pois o mar no RS é bem potente", sinalizou. Para o diretor, há poucos registros de acidentes e a estrutura está preparada para o momento atual. "Para o futuro, temos equipamentos muito bons, que nos permitirão estarmos atentos aos eventos climáticos".
As previsões foram possíveis com o trabalho de campo feito no Porto de Rio Grande, a partir do levantamento histórico de eventos naturais e as estruturas mais afetadas. Isso inclui navios que deixaram de atracar e por qual motivo, acidentes com embarcações, além de uma lista com toda a infraestrutura do Porto, como galpões de armazenamento e guindastes. "Após, realizou-se uma modelagem com 15 tipos de equipamentos meteorológicos para cada item que projetou a quantidade e a intensidade de chuva e de ventos na região. A conclusão é que vai ventar mais e o nível do mar pode subir 20 centímetros nesse período", revelou Henrique Ilha.
Segurança
A partir do relatório, o diretor tem em mãos quais as estruturas serão mais afetadas com as variáveis. "Nossa realidade é definir o que já está sendo feito e que precisa ser ampliado. E o que precisar investir, como prevenção, para o futuro. No entanto, ficou bem claro que nossa estrutura é muito forte, mas precisamos ficar em alerta. Com isso, o Porto de Rio Grande está preparando um planejamento estratégico que vai levar em conta todos esses apontamentos. "A maior parte das medidas são preventivas. Vamos fazer análise da qualidade dos molhes em tempo mais curto, teremos capacitações de pessoal, avaliação das estruturas, no que diz respeito a parte de engenharia, além de mexer nas regras das operações para garantir mais segurança", adiantou Ilha.
Como foi o estudo
A Antaq e a GIZ avaliaram inicialmente 21 estruturas onde foram apontadas as principais ameaças climáticas: vendavais, tempestades e aumento no nível do mar. O documento enumerava 55 ações para os portos, sendo 21 estruturais e 34 não estruturais, tais como a diversificação das ligações terrestres para o porto/terminal; construção de infraestruturas de abrigo; ampliação do processo de dragagem; e melhoria da qualidade dos acessos ao porto/terminal. Depois, na segunda fase, os Portos de Rio Grande, Santos e Aratu tiveram a pesquisa ampliada e aprofundada.
Pelos resultados da pesquisa no Sul, o vento quadrante Sul-Sudoeste teve risco classificado como alto, em algumas interações, principalmente devido à alta probabilidade classificada como muito frequentemente nos períodos presente e futuro. Isso pode prejudicar parcialmente a operação de granéis líquidos, sólidos e celulose, no que se refere ao processamento de navios que ficam atracados no berço. No caso da celulose, a mercadoria também está relacionada com a interrupção da atividade, o que causa prejuízos na cadeia logística. Segundo o documento, os portos analisados já possuem históricos recorrentes de paralisações devido a essas intempéries e nenhum deles está totalmente preparado para o aumento de eventos climáticos extremos.
Capacitação dos portos brasileiros
Já com base no documento e, antecipando as ações, teve início um treinamento sobre "Riscos Climáticos e Adaptação para Infraestrutura Portuária". A capacitação quer incentivar os portos públicos a priorizarem um planejamento estratégico de gestão, por meio de iniciativas e ações de adaptação do ambiente às mudanças do clima.
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